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sábado, 18 de julho de 2009

O tempo do preconceito


Quem é capaz de continuar admirando alguém que se revela intolerante com as diferenças? Talvez o amor resista até o preconceito entrar em cena.

Questões assim são tratadas com delicadeza e beleza no segundo longa-metragem do diretor Roberto Moreira, Quanto Dura o Amor?, exibido pela segunda vez este ano – a primeira foi no dia 11 de julho, no Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo –, no 2º Festival Paulínia de Cinema, no dia 12 de julho, saindo premiado duas vezes na categoria melhor atriz para Silvia Lourenço e para a estreante no cinema Maria Clara Spinelli, conhecida dos palcos paulistanos.

Moreira estreou em 2004, com o filme Contra Todos, que guarda semelhanças com o novo projeto nos encontros sexuais explosivos entre personagens díspares. Assim como aquele trazia um matador de aluguel atraído por uma evangélica e um negro por uma adolescente branca, Quanto Dura o Amor? acompanha três relacionamentos que também desafiam preconceitos em relação a gênero, raça e profissão.

O roteiro escrito por Anna Muylaert (Durval Discos) e Roberto Moreira gira em torno da atriz Marina (Silvia Lourenço, foto), que disputa o amor da cantora de rock Justine (Danni Carlos) com o dono de bar Nuno (Paulo Vilhena); da advogada Suzana (Maria Clara Spinelli), que guarda um segredo importante do pretendente Gil (Gustavo Machado); e do escritor nerd Jay (Fábio Helford), que é obcecado pela prostituta Michelle (Leilah Moreno).

São Paulo é o lugar para as histórias que se intercalam. Em muitas cenas, a cidade é captada de cima do Condomínio Jaqueline (que daria nome ao longa, não fossem as mudanças no roteiro), na Avenida Paulista, próximo à Avenida Consolação, onde moram Marina, Suzana e Jay. Com ênfase nas cenas noturnas, o diretor de fotografia Marcelo Trotta conseguiu transformar o cenário em mais uma personagem na trama, capaz de influenciar, com seu ritmo, cores e sons, o humor e as decisões das personagens.

A trilha sonora, assinada por Livio Tragtemberg, é outro elemento que dá força à trama, ao assinalar o sentimento das personagens. Para além da música originalmente composta, a produção também apostou em uma pérola do pop internacional para abrir o filme: a canção High and Dry, da banda Radiohead, que assistiu ao filme antes de liberar a música que integra o álbum The Bends (1995). A música também aparece também na voz de Danni Carlos ao violão.

Mais do que histórias de amor, o filme nos coloca dilemas importantes a serem resolvidos intimamente e também publicamente, e revela que a entrega amorosa depende da capacidade do ser humano se maravilhar, mais do que se assustar, diante do novo.

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